Luizianne Lins defende criação de estatuto de cuidadores e combate à violência contra mulheres

Candidata ao Senador pelo Ceará Luizianne Lins é entrevistada no Bom dia Ceará A candidata ao Senado pelo Ceará Luizianne Lins (Rede) foi entrevistada na ma...

Luizianne Lins defende criação de estatuto de cuidadores e combate à violência contra mulheres
Luizianne Lins defende criação de estatuto de cuidadores e combate à violência contra mulheres (Foto: Reprodução)

Candidata ao Senador pelo Ceará Luizianne Lins é entrevistada no Bom dia Ceará A candidata ao Senado pelo Ceará Luizianne Lins (Rede) foi entrevistada na manhã desta terça-feira (1°) no Bom Dia Ceará e apresentou propostas para temas como combate à violência contra mulheres, economia do cuidado e regulamentação da inteligência artificial no Brasil. Siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Segundo a candidata, o trabalho "invisível" de mulheres, que muitas vezes deixam de ter emprego para cuidar de parentes ou das tarefas domésticas, deve ser discutido e valorizado. Ela propõe a criação de um estatuto dos cuidadores e a inclusão desse tipo de trabalho no sistema de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB): "Todo mundo tem em casa ou conhece alguém que parou a sua vida, ou que, pelo menos, abriu mão de algumas coisas na vida para cuidar de alguém. Isso aí é um exército de milhões de pessoas no Brasil. 98% dessas pessoas são mulheres. São mulheres que, muitas vezes, abrem mão para cuidar. E cuidar não é apenas um ato de amor, é um trabalho também. O que nós podemos fazer? Uma das coisas, por exemplo, é criar o estatuto do cuidador", defendeu. Combate à violência contra a mulher Luizianne foi questionada sobre os casos de violência contra mulheres e os feminicídios no Ceará. Entre janeiro e julho deste ano, o estado registrou 24 assassinatos de mulheres, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública. Lins é autora do Projeto de Lei 2416/2026, que estabelece aumento de pena no crime de feminicídio quando o crime resultar em mutilação ou deformidade grave na vítima. O projeto está em tramitação pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e deve passar pelo Senado Federal. "Quando foi discutida a qualificação para o feminicídio, houve muita resistência de muita gente, inclusive de deputadas mulheres. E a gente queria provar, naquele momento, que era um crime encomendado, do ponto de vista da qualificação. Ele não era um crime comum, que todos os seres humanos estão sujeitos, era um crime que as mulheres estavam sendo assassinadas pelo fato de serem mulheres. Só no ano passado, por conta dessa qualificação, foram 1.671 feminicídios no Brasil. Se nós não tivéssemos essa qualificação, não saberíamos nunca, porque sempre era subnotificado", destacou. Economia do cuidado A candidata ao Senado pelo Ceará também falou sobre a valorização dos cuidadores no Brasil, em especial mulheres que param de trabalhar fora para cuidar de parentes ou de atividades domésticas. Luizianne é autora de um Projeto de Lei que coloca a economia do cuidado no sistema de cálculo do Produto Interno Bruto (PIB). 📌 Entenda: a chamada "economia do cuidado" se refere a atividades como lavar roupa, fazer comida, levar os filhos para a escola e ajudá-los nas tarefas escolares, entre outros. Essas atividades, que fazem a rotina de uma casa funcionar, muitas vezes são invisibilizadas. Pela proposta, a economia do cuidado será calculada em uma conta vinculada (satélite) ao Sistema Nacional de Contas, utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para aferir o desenvolvimento econômico e social do País, e ajudará a definir e implementar políticas públicas. A pesquisa deverá ser feita, no máximo, a cada cinco anos. As informações sobre o tema constam na Agência Câmara. "E cuidar não é apenas um ato de amor, é um trabalho também. E isso não é contabilizado. O que podemos fazer? Uma das coisas, por exemplo, é criar o estatuto do cuidador. Essa conta satélite vai dar encaminhamento, orientação de como lidar com essa população invisibilizada, que tem direitos e que, muitas vezes, vive sem direitos, vive sem aposentadoria. Ela vive, efetivamente, como se não trabalhasse, e é um trabalho", explicou. Regulamentação da inteligência artificial no Brasil Luizianne Lins também comentou sobre a regulamentação da inteligência artificial generativa no Brasil. Ela acompanha a discussão na Câmara dos Deputados e propõe uma IA com "centralidade na pessoa humana, para que sejam ferramentas para a vida e não para a morte". Em 2024, o Senado Federal aprovou o projeto que regulamenta a IA. Atualmente, o Projeto de Lei n.º 2.338/2023 foi remetido à Câmara dos Deputados e aguarda parecer do relator na Comissão Especial. Entre as regras sugeridas, uma prevê a proteção dos direitos dos criadores de conteúdo e obras artísticas. As informações sobre o projeto constam no site da Agência Senado. "Como é que nós podemos usar a inteligência artificial para o bem da humanidade? Porque a gente vê que as redes sociais, assim como os veículos, as tecnologias, podem ser usadas para o bem e para o mal. A nossa luta diária, principalmente nós da área da comunicação, eu sou jornalista [também], a gente sabe que a gente precisa militar diariamente para que sejam ferramentas de tecnologia para a vida e não para a morte", ressaltou. Candidata ao Senado pelo Ceará foi entrevistada no Bom Dia CE. Thiago Gadelha/SVM 📌 O Bom Dia Ceará entrevista nesta semana candidatos ao Senado pelo Ceará; confira a ordem: Segunda-feira (31): Cid Gomes (PSB) Terça-feira (1º): Luizianne Lins (Rede) Quarta-feira (2): Capitão Wagner (União) Quinta-feira (3): Alcides Fernandes (PL) Sexta-feira (4): Entrevistas gravadas de Lino Alves (PCO), General Theophilo (NOVO), Catarina Matos (UP) e Reginaldo Ferreira (PSTU). Quem é Luizianne Lins Luizianne Lins é candidata ao Senado entrevistada no Bom Dia Ceará Thiago Gadelha/ SVM Luizianne de Oliveira Lins é natural de Fortaleza e se formou como jornalista pela Universidade Federal do Ceará (UFC), instituição da qual é licenciada como professora universitária. Foi nomeada secretária estadual de Juventude do PT, secretária estadual de Mulheres, presidente do partido em Fortaleza e presidente do Diretório Estadual da legenda. Luizianne foi prefeita de Fortaleza por dois mandatos, entre os anos de 2005 e 2012. Antes disso, havia sido eleita como vereadora de Fortaleza e deputada estadual pelo Ceará. Ela foi eleita como deputada federal nos pleitos de 2014 e 2022. Após 37 anos de atuação pelo PT, Luizianne se filiou à Rede devido a divergências sobre articulações políticas no Ceará. Neste ano, ela concorre ao Senado pela primeira vez e conta com o apoio da chapa de Elmano de Freitas (PT), que tenta a reeleição como governador. 🔎 O que faz um (a) senador (a)? O Senado Federal é composto por 81 parlamentares. Cada estado tem três representantes. Duas das três vagas do Ceará serão renovadas este ano. Os dois senadores eleitos em outubro vão passar os próximos oito anos defendendo os interesses do Estado em Brasília e ajudando a decidir assuntos importantes para todo o país. Os senadores participam da criação e aprovação das leis e discutem temas que fazem parte da rotina dos brasileiros, como segurança, saúde, educação, emprego. Eles também analisam mudanças na Constituição e votam a indicação de autoridades importantes, como ministros do Supremo Tribunal Federal, embaixadores e a direção do Banco Central. Além disso, têm papel decisivo em questões que podem mudar os rumos do país, como julgar o presidente da República em casos de crimes de responsabilidade e aprovar operações financeiras do governo federal, dos estados e dos municípios.